quinta-feira, 6 de março de 2014

O que foi o Malleus Maleficarum? A Igreja e a Inquisição o aprovaram?

Por Carlos Spitzweg
Postado originalmente no site Logos Apologética


    É uma das acusações mais frequentes em antiteístas antirreligiosos (mormente os anticatólicos), com sua costumeira desinformação sobre temas históricos, Inquisição, etc. de que o “Malleus Maleficarum” foi um “manual da Igreja” para combater “hereges”. Vamos ver a veracidade ou não dessas alegações.

     Escrito por dois teólogos e inquisidores dominicanos, Jacob Sprenger e Heinrich Kraemer, o Malleus Maleficarum (do latim, “Martelo das Bruxas”) foi um livro do século XV destinado a ajudar inquisidores em identificar e processar as acusadas de bruxaria. Enquanto em si mesmo ele não incitou a “caça às bruxas” no momento da sua publicação, foi influente na formação do pensamento de católicos e protestantes sobre as bruxas. E, embora Sprenger seja conhecido por ter tido uma profunda devoção pessoa mariana, seu livro foi muito misógino.

     O livro foi lançado em 1484 e inicialmente foi prontamente recusado pelo bispo que o encomendou, tendo seus dois autores sido posteriormente excomungados por continuarem o publicando. Com 28 edições esse volumoso manual define as práticas consideradas demoníacas. Ele se torna uma espécie de bíblia da caça às bruxas e vai ter grande influência do outro lado do Atlântico séculos depois sobre as comunidades puritanas nos Estados Unidos tendo sido utilizado no famoso caso das bruxas de Salen.

    O prefácio também incluia uma aprovação da faculdade de teologia da Universidade de Colônia. A autenticidade do endosso de Colônia foi questionada por Joseph Hansen, mas Christopher S. Mackay rejeita sua teoria como um mal-entendido. Entretanto, o clero da Universidade o condenou, declarando-o tanto ilegal como antiético. Kramer, porém, inseriu uma falsa nota de apoio da Universidade em posteriores edições impressas do livro. A data de 1487 é geralmente aceita como a data de publicação, ainda que edições mais antigas da obra tenham sido produzidas em 1485 ou 1486. A Igreja Católicaproibiu o livro pouco depois da publicação, colocando-o na Lista de Obras Proibidas (Index Librorum Prohibitorum). Apesar disso, entre os anos de 1487 e 1520, a obra foi publicada 13 vezes. Entre 1574 e a edição de Lyon de 1669, o Malleus recebeu um total de 16 novas reimpressões. Estas informações são descaradamente omitidas e ocultadas por anticatólicos. Enganosamente, fazem parecer que o livro foi um “manual da Inquisição para caçar e torturar bruxas”. Claro, isto é um total dislate.

     O livro é queridinho dos historiadores amadores atuais. Mas não é um guia confiável para o período da “caça às bruxas”: é um texto dúbio com um passado duvidoso, um livro que você simplesmente não pode levar muito à sério.

    O livro tornou-se o manual para os tribunais seculares em toda a Europa renascentista, mas não foi utilizado pela Inquisição, que ainda alertou contra confiar na obra. Entre os anos de 1487 e 1520 o trabalho foi publicado treze vezes. Ele foi novamente publicada entre os anos de 1574-1669, um total de 16 vezes. Independentemente da autenticidade dos endossos que aparecem no inicio do livro, a sua presença contribui para a popularidade da obra. Em 1538, a Inquisição espanhola advertiu seus membros a não acreditar em tudo o Malleus dizia, mesmo quando ele apresentava provas aparentemente sólida (Jolly, Raudvere, & Peters(eds.), ‘Witchcraft and magic in Europe: the Middle Ages’, pág. 241 (2002). Em 1490, apenas três anos depois que foi publicado, a Igreja Católica condenou Malleus como falso.


    Entre 1487 e 1520, 20 edições do Malleus foram publicadas, e outros 16 edições foram publicadas entre 1574 e 1669. No entanto, há um consenso acadêmico que a publicação do Malleus Maleficarum não foi tão influente como historiadores modernos anteriormente se inicialmente pensavam (Joyy et al., ‘Witchcraft and Magic In Europe’, p. 241 (2002) De acordo com MacCulloch, os Malleus foi um dos vários fatores importantes que contribuem para a mania de bruxa, junto com a superstição popular e as tensões criadas pela Reforma.

    Assim, o Malleus NUNCA FOI USADO na Inquisição, mas principalmente em tribunais seculares. Essa diferença e funcionamento entre a Inquisição e tribunais seculares é a causa dos meuis equívocos, distorções e má informação de ateístas contra a Igreja Católica. Além disso, embora as recomendações do livro foram aplicadas, em alguns casos, há pouca evidência de que os procedimentos foram seguidos por toda a Europa. Sua popularidade a longo prazo foi provavelmente devido ao seu apelo lascivo, e não em sua utilidade na localização e julgamento de bruxas.

   A Igreja sempre ensinou que a bruxaria é um mal grave e uma violação do Primeiro Mandamento. A Igreja, através de suas inquisições, salvou muitos milhares, talvez centenas de milhares de pessoas que foram acusadas de bruxaria e que de outra forma teriam sido queimadas na fogueira por autoridades estatais ou locais, por multidões locais ou governantes mesquinhos. A grande maioria dessas pessoas nunca tinha tido nada a ver com bruxaria, mas foram vítimas do “caça às bruxas” que varreu a Europa nos séculos 16 a 18. A bruxaria e as heresias da Nova Era ainda são uma grande ameaça à amizade das pessoas com Deus, o Criador.

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